Reforçando o poder alquímico de pensamento positivo pela prática de viagens semi-improvisadas
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
Goiás da Cora Coralina
...continuamos passeio pela cidade, voltando para margem direita do Rio Vermelho, onde fica a parte mais nova do Centro Histórico. Mas a primeira construção que encontramos, conhecida como casa da Cora Coralina (1889-1985), de fato é uma das mais antigas na cidade, é datada de 1770. Com quase 2 séculos e meio de idade, já foi feita de mesmo jeito como a maioria das casas vizinhas. E nunca sofreu reformas ou reconstruções, apenas passou pelas reparações cosméticas.
A sua última proprietária nasceu nesta casa, e faleceu também aqui. E viveu quase 100 anos... Mas a maior parte desta vida passou nas grandes cidades, o que resultou em uma biografia rica e turbulenta. Entretanto, a Cora ficou famosa só depois que voltou a cidade de Goiás, arrumou a velha casa e começou refletir sobre experiências da vida, na forma poética. O seu primeiro livro de poemas publicou já na idade de 75 anos... Assim, a vida da cora Coralina é mais uma ponte que liga épocas tão diferentes, que parecem ser muito distantes. Mas esta distância é uma ilusão, tudo existe aqui e agora, para sentir isso apenas precisamos pensar um pouco. E para pensar precisamos parar, há lugarem mais próprias para isso. Assim são os monumentos históricos, onde a memória do passado continua viva...
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
A velha e boa cidade de Goiás
A cidade Goiás é conhecida também Goiás Velho, ou pelo nome mais antigo, Vila Boa de Goiás. Para não confundir com a nova capital deste estado, grande e moderna cidade Goiânia. É justo, já que por muito tempo esta antiga cidade, pelos padrões da história do Brasil é claro, era capital do estado com mesmo nome.
As funções de capital foram transferidas nos anos 1930-1940 para um novo centro, estrategicamente construído na região mais plana, foi uma época de rápidas mudanças sócio-econômicas. E a cidade Goiás um tanto parou no tempo, aos poucos se tornando um modesto centro regional, que claramente demonstra as tradições do estado de Goiás. Seu centro ficou grande demais para nova função, portanto não sofreu nenhuma reforma, apenas se adaptava aos poucos às novas realidades. Com passar dos anos isto resultou em um patrimônio inestimável, a cidade foi reconhecida como monumento histórico de importância nacional e mundial. Começou a restauração cuidados dos seus conjuntos arquitetônicos, mas a sua popularidade como destino de turismo cultural ainda está muito abaixo da merecida.
Um dia dedicado à visita a velha capital de Goiás deixou impressões muito ricas e profundas. Admiramos a naturalidade de coexistência das várias camadas da história, nem tanto na forma dos museus, quanto no dia-a-dia do atual século 21.
Então, como as cidades se tornam "cidades históricas"? É claro que a idade é uma das condições necessárias, mas não é suficiente. Senão, a lista das cidades históricas seria quase infinita, mas de fato ela é bem limitada, a ponto que precisamos viajar muito para conhecê-las. Acho que a biorgrafia da cidade Goiás é bastante típica para tal categoria, e não só no Brasil.
Um aspecto brasileiro mais específico é a idade absoluta menos impressionante, nem chega a três séculos. Com apenas cinco séculos de descobrimento pelos portugueses, as cidades mais antigas da Costa Atlântica já têm quase tudo isso, pelo menos quatro. Mas a penetração aos fundos do continente demorou bem mais. A Vila Boa de Goiás foi fundada em 1727 (oficialmente em 1732) pelos Bandeirantes de São Paulo, como uma base de mineração na região aurífera recém descoberta. Logo recebeu de São Paulo as funções administrativas e se tornou centro de um grande território com população muito rarefeita. Basta dizer que depois esta territória passou a ser chamada Estado de Goiás, e atualmente este estado tem área equivalente à da Alemanha, mas com população 12-15 vezes menor. E isto depois da reforma do século 20 que resultou na separação em dois estados, o atual Tocantins era parte norte do Goiás dos velhos tempos. Portanto, a cidadezinha comandava área de duas Alemanhas por um bom tempo.
O ouro, extraído nas montanhas ao lado, foi fundido na cidade e começava o seu caminho para o Velho Continente. Alguma parte das riquezas serviu para melhorias da infraestrutura local, portanto já no final do século 18 foram construídos os prédios mais importantes e consolidou-se a atual aparência das quadras centrais. Entretanto, o ciclo de ouro não foi muito longo, a produção caiu, mas a importância da cidade como centro administrativo, e até um ar de capital, permaneceram. A vida cultural da Goiás seguiu as padrões de Rio de Janeiro, na época capital da colônia e depois do Império independente.
Passaram mais algumas décadas. No século 20 o vetor de desenvolvimento econômico do Planalto Central mudou completamente, a pecuária e o processamento dos seus produtos se tornaram dominantes. E este negócio cresceu mais na região mais plana, onde logo ocorreu aumento populacional e surgiram novas cidades. A assunto de transferência da capital estadual entrou na pauta e a cidade Goiás passou a ser capital em exercício temporário. Não houve mais recursos para seu desenvolvimento, tudo foi poupado para financiar o projeto de transferência. Nos anos 1930 começou a construção da Goiânia, que aos poucos assumiu todas as funções administrativas, e em 1942 se tornou capital única do Estado de Goiás.
Resumindo, a cidade Goiás experimentou as fases de desenvolvimento acelerado no século 18, inercial no século 19 e quase nenhum no século 20. Não houve degradação considerável, apenas ocorreu que, para nova função de centro local, a estrutura urbana era suficiente por muito tempo. Bastava mantê-la em condições razoáveis, o que aconteceu naturalmente.
No mesmo período, o desenvolvimento da nossa civilização se tornou exponencial. Os atributos do século 18 continuaram valendo no século 19 também. Já no 20 as mudanças andaram mais rápido, e na sua segunda metade mais rápido ainda. Um tanto de lado de tudo isso, a Goiás conservou para nós as sensações da época não muito distante, quando comparada com a sua própria duração. A alguns traços seus agora se tornam atraentes de novo, na nova rodada de redescoberta dos "valores eternos".
É melhor ilustrar estas observações com imagens da própria cidade, pequena e encravada na Serra Dourada, que, por sinal, é muito verde no verão. Hoje em dia muitos gostariam de fugir das metrópoles para lugares como este, caso fosse possível levar junto o nível salarial e mais algumas coisas.
A vista da cidade e da serra, que abre do Morro de Santa Bárbara.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Goiás - GO
Serviços de ônibus: várias frequências diárias (a cada hora em média) de-para Goiânia, diretas ou em transito de-para outros destinos, empresa MOREIRA distância 150 km, 2-2,5 h de viagem.
Todos os ônibus chegam no novo terminal, na parte alta da cidade. A maioria, inclusive todos os diretos, segue depois para terminal velho que fica no Centro Histórico. Mas não é difícil fazer este percurso de 1 km a pé. A falta de indicação demonstra claramente que a cidade vive a vida própria e não existe só para turistas. Mas é só seguir e direção norte, descendo pelo relevo no sentido do Rio Vermelho, do lado direito da aresta. Este passeio permite sentir como vive agora este modesto centro de uma região agrícola e viver a transmutação harmônica das épocas da sua história.
Principais atrações:
Centro Histórico, com várias construções antigas;
Casa da Cora Coralina e outros museus;
Ecoturismo - várias cachoeiras e outras atrações naturais na Serra Dourada.
Relatos:
A velha e boa cidade de Goiás
Goiás da Cora Coralina
Mais fotos:
Goiás Velho GO - Google Fotos
Goiás Velho GO - Facebook
Links externos recomendados:
Descrição na Lista UNESCO
Coordenadas - Wikimapia
Dados gerais - Wikipedia
Portal turístico
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Atualizado 14.12.2018
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