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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

A arquitetura religiosa de Cuiabá

Cuiabá - MT

A cidade de Cuiabá já tem um pouquinho mais de três séculos, e a sua igreja mais antiga também já está chegando aos 300 anos de idade também. 


A Igreja do Rosário e São Benedito foi construída em 1722 em estilo barroco e guarda muitas das suas características originais, apesar das várias reformas que passou. Aliás, em parte graças às últimas reformas focadas na recuperação da sua fachada original, além dos reparos periódicos que todas estruturas de taipa de pilão necessitam.  

A sua colina ficou separada das ruas históricas por um cruzamento de vias expressas, talvez o mais importante na zona central de Cuiabá, e serve também como mirante.  

sábado, 7 de agosto de 2021

Petrópolis - RJ

A Petrópolis foi fundada em 1843 nas montanhas ao norte da então capital Rio de Janeiro (distância rodoviária atual 70 km do centro ao centro), para servir como refúgio do imperador na estação mais quente do ano. Altitudes de 840 a 900 metros acimo de nível do oceano e altas montanhas ao redor cobertas de vegetação exuberante realmente proporcional clima agradável e paisagens inspiradoras, dignas à "Cidade Imperial". As tarefas de construção do palácio e da urbanização dos seus arredores foram realizadas por um grupo de imigrantes alemães sob comando do engenheiro-major Júlio Frederico Koeler, antes da naturalização conhecido como Julius Friedrich Koeler (1804-1847), e a obra deles continua sendo um ótimo exemplo de cidade planejada concebida em harmonia com a natureza. Embora isso não se aplica a todos os bairros da Petrópolis que cresceram depois: a cidade já tem mais de 300 mil habitantes e diversas padrões de ocupação. Mas continua guardando estes ares da "capital escondida" e mantém tradições das primeiras cervejarias do Brasil:


O palácio imperial (atualmente "Museu Imperial") que aparece na parte inferior desta colagem (no centro) merece uma apresentação especial por ser uma das 32 atrações da categoria superior 5 estrelas de acordo com a classificação do respeitado "Guia Brasil" da Editora 4 Rodas (a edição de 2012 foi a mais completa do gênero impresso, já extinto hoje em dia). É único representante do estado RJ entre 8 museus do país contemplados com 5*****.  

Na sua vizinhança imediata posteriormente foi erguido o impressionante templo no estilo gótico - Catedral São Pedro de Alcântara (construção de 1884-1969, imagens â direita): 

domingo, 28 de junho de 2020

Florianópolis - SC

A capital catarinense é um dos destinos turísticos mais populares do sul do Brasil, principalmente para os residentes de países vizinhos. E entre os brasileiros, ele é especialmente conhecido como capital estadual destacado pela qualidade de vida, o IDH (índice de desenvolvimento humano) cerca de 0,85 é o melhor atestado disso. No país existem apenas dois lugares com números mais altos, mas essas são cidades muito específicas e pequenas: portanto, entre cidades de porte grande a "Floripa" não tem concorrentes.

A cidade foi fundada em 1673 por expedições do território do estado atual de São Paulo, mais precisamente do porto de São Vicente. A sua população permanente atualmente é cerca de 0,5 milhão de habitantes, mas no verão pode dobrar ou até triplicar. A explicação disso é seguinte: o território do município de Florianópolis é constituído principalmente pela grande (maior do Atlântico Sul) ilha de Santa Catarina, dona de muitas praias de primeira qualidade. Esta ilha se estica por 54 km no sentido norte-sul, com largura até 18 km, e o estreito que separa do continente na parte central é reduzido até  0,5 km. É lá que se localiza a parte continental de Florianópolis e foram construídas três pontes que tornaram a ilha tão acessível.



Aqui, em primeiro plano, fica a parte central da cidade, que surgiu no extremo oeste da ilha. Adiante aparece a parte continental de Florianópolis, que se funde com o território do município vizinho de São José (cerca de 250 mil habitantes). Além disso, o núcleo da aglomeração da Região Metropolitana de Florianópolis é composto pelos municípios costeiros de Palhoça (170 mil) e Biguaçu (70 mil), o primeiro do lado sul de São José (à esquerda nesta foto) e o segundo do lado norte. Formalmente esse núcleo, com uma população permanente de mais de um milhão de pessoas, inclua mais cinco cidades pequenas e mais distantes: Governador Celso Ramos ainda mais longe na costa norte, Santo Amaro da Imperatriz, Antônio Carlos, Águas Mornas e São Pedro de Alcântara respectivamente do sudoeste, do oeste e do noroeste, já no sopé da Serra do Tabuleiro.

Atrações principais:
Praias e dunas da Ilha de Santa Catarina;
Museus de fortificações coloniais no nordeste da ilha principal e nas ilhas menores do estreito;
Avenida-parque beira-mar que contorna a zona central da cidade;
Centro Histórico e suas praças com árvores centenárias, igrejas, palácios, mansões, teatros, mercado...
Excursões pelas praias continentais;
Excursões para cidades de imigração alemã e italiana no leste do estado de Santa Catarina.

Destaques do "Guia 4 Rodas 2012"  (não contemplados neste mapa da Google):
PRAIA JURERÊ - o mais chique dos bairros de praia no norte da Ilha de Santa Catarina;
PRAIA LAGOINHA DO LESTE - um tesouro escondido no sudeste da ilha, acessível só por trilha; 
ILHA DO CAMPECHE - uma das pequenas ilhas do arquipélago de Santa Catarina, próxima à costa leste da ilha principal, alvo de excursões em embarcações de diversos tipos; 
MUSEU O MUNDO DE OVO ELI HEIL - um museu particular e muito específico que fica fora da cidade, visitação por agendamento. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Europa extremamente Oriental

Oral (ou Uralsk, mais exatamente Ural'sk), Cazaquistão - 1 dia em julho de 2015

Esta cidade no rio do mesmo nome Ural (Oral) que delimita Europa e Ásia foi bastante visível na história do Império Russo, mais em contexto da rebelião dos cossacos sob comando de Emelian Pugachov na região dos Urais e do Volga em 1773-1774. Os cossacos (agricultores armados) começaram a explorar esta região no final de século XVI, e no ano 1584 (dois anos antes de fundação da fortaleza imperial de Samara no rio Volga) já fixaram um povoado nas margens do rio Ural. Em 1591 elem juraram fidelidade ao império, e receberam autonomia total para proteger esta região fronteiriça, que perdurou até os tempos do Pedro Grande. Em 1613 o primeiro povoado foi destruído durante um ataque dos nômades, e logo os cossacos construíram uma fortificação mais consistente 50 km rio abaixo, e assim começou a cidade atual. Cuja população cresceu moderadamente - até 230 mil habitantes, aproximadamente um milhão a menos do que em Samara.

Mais um aspecto particular: a árvore genealógica do primeiro autor acende aos cossacos do rio Ural, e este local está apenas a 260 km da sua cidade natal - Samara, RÚSSIA. Efetivamente, nos tempos da URSS foi uma das duas capitais provinciais mais próximas à Samara, junto com a Ulianovsk, mas deixou de ser visitada por uma combinação de fatores. Esta falha foi corrigida só em 2015, devido ao interesse de um grupo de amigos aos marcos geográficos de "limite entre Europa e Ásia" e já valeu uma viagem internacional. Depois de desintegração da URSS a cidade com maioria de população russa ficou no novo e interessante país chamado Cazaquistão - muito extenso, e na parte étnico-cultural claramente transitório entre a própria Rússia e a Ásia Central. 

Foi uma expedição bate-volta de domingo, no carro dos nossos amigos, e muito bem sucedida - sem dificuldades encontramos todos 4 alvos principais: rio, marco Europa-Ásia, Catedral de Cristo Salvador, e o mercado centrаl com sua abundância de frutas, batata e peixe.



De fato, o rio que aparece nesta colagem não é Ural, e a sua afluente europeia Tchagan,  mas paramos nas margens do Ural também, e avistamos оs estepes asiáticas. Mas não pisamos lá nesta vez^a cidade toda fica na Europa, menos aeroporto que foi desnecessário na nossa viagem. 

Alem desta programação básica realizamos uma série de opcionais, e deixamos boa porção de tempo para improvisos, portanto retornamos bem tarde, levando melancias, melões, e muitas boas impressões. Vale a pena relembrar alguns passos por lá... 

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Lisboa entre um voo e outro

Longa conexão em Lisboa LIS - 01.09.2019 

No final de fevereiro, de repente nos deparamos com passagens muito baratas para a Alemanha via Lisboa, e ainda com datas de julho e agosto, via de regra caras demais. Embora não foram para aeroportos mais próximos aos nossos destinos, apenas para dois um tanto distantes - Munique MUC e Frankfurt FRA: resolvemos aproveitar assim mesmo, inclusive para esticar as nossas rotas por lá. E considerando que a cidade de Munique já estava nos planos de roteiro terrestre pelo país junto com nossa família anfitriã, bem no miolo da viagem, escolhemos a Frankfurt como porta de chegada e partida. De quebra aproveitamos a sua localização para elaborar mais duas fases de roteiro interessantes: para dias iniciais e para dias finais de permanência na Alemanha.

As nossas datas de ida foram diferentes, mas planejamos voos conjuntos de volta, com uma longa conexão diurna em Lisboa - no primeiro domingo de setembro. Mas este último plano foi destruído pela inconsistência da companhia aérea portuguesa: o processo de compra e recebimento de bilhetes se transformou em um verdadeiro pesadelo, e no final recebemos apenas um bilhete  - meu (sem contar que acabou sendo pago duas vezes, e a restituição ainda não rolou). Já a minha esposa teve que comprar uma nova passagem, já com outra companhia aérea, o que tornou a chegada dela mais confortável (em Hanôver HAJ). Mas o voo de volta também arranjamos pela Frankfurt, com partida mais tarde e chegada ao destino final mais ou menos na mesma hora comigo. Foi uma grande baixa: o passeio de domingo em Lisboa agora ficou reprogramado para formato solitário.

E esta perda não foi última: a terrível TAP também atrasou o voo de Frankfurt para Lisboa tanto que das minhas seis horas efetivamente livres só sobraram quatro. Portanto, não houve tempo para muitos alvos, escolhi o objetivo principal - um objeto UNESCO e outros monumentos no distrito de Belém, às margens do rio Tejo, e me mandei para lá usando transporte público expresso. Para variar, nesta fase dos nossos contatos o Portugal deu certo.



E só depois de desbravar razoavelmente bem este teatro de operações, já no caminho de volta ao aeroporto me permiti algumas andanças pela zona central da Lisboa.

A logística desta escapada foi resolvida sem uso de metrô, embora esta modalidade também existe no aeroporto LIS: esta linha é tão torta que perde aos "AEROBUS" até em tempo de viagem, sem falar em conforto e em vistas pela janela. Já entre centro e bairro de Belém andei de trem suburbano que circula cada 20 minutos e corre mesmo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Kazã (Kazan), Rússia

Desde o século XIX considerada por muitos como a mais interessante e mais representativa das grandes cidades da Rússia fora das duas capitais. E nos últimos anos não apenas reconfirma esta posição, mas também atrai cada vez atenção dos turistas internacionais (3-o destino que mais cresce na Europa e 8-o no Mundo no ranking TripAdvisor-2014, por exemplo). Ganhou projeção adicional ao sediar grandes eventos esportivos com Universiada-2013, Mundial de natação em 2015 e Mundial de futebol em 2018 que levaram o número anual de turistas para novo patamar - acima de 3 milhões.

Localizada junto ao foz do rio Kazanka ou Qazansu, afluente da margem esquerda do Rio Volga, 820 km a leste de Moscou, altitude do centro 60 m. É uma cidade milenar (fundada no ano 1005), multicultural e multi-confessional, exemplo de convivência enriquecedora de vários povos e dos adeptos do islã e do cristianismo.



População da cidade 1,25 milhão de habitantes (6-a do país), e 1,56 milhão dentro da área metropolitana. É um importante centro cultural, industrial (de perfil diversificado), de construção civil e do setor financeiro (3-o em giro de capital no país). Possui rico patrimônio arquitetônico, inclusive grandes objetos tombados pela UNESCO: um na área central - Kremlin (Cidadela) de Kazã - e dois nos arredores: Sviyazhsk e Bolgar.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Rotas pedestres "Caminho da Fé"

O famoso caminho rumo ao Santuário de Aparecida SP nos últimos anos ganhou bom suporte institucional. A entidade Associação dos Amigos do Caminho da Fé (AACF), com sede em Águas da Prata SP, cuidou de demarcação da rota Águas da Prata - Aparecida chamada "ramal principal" e das várias ramais do interior de São Paulo e de Minas Gerais que se juntam em Águas da Prata e adiante. Também disponibilizou informações sobre extensão e altimetria de cada trecho, bem como sobre infraestrutura de apoio (hospedagem, alimentação, saúde), e criou pontos de emissão de credenciais. Estes credenciais servem não apenas para colher carimbos comprobatórios da peregrinação (este termo se aplica a no mínimo 100 km de caminhada rumo ao Santuário), mas também direito à hospedagem econômica em estabelecimentos conveniados, com preços tabelados: https://caminhodafe.com.br/ptbr/hospedagem/

O conjunto das rotas e ramais se estende por mais de 1500 km, na maior parte são estradas vicinais não pavimentadas, mas há também segmentos asfaltados e segmentos de trilhas:


(fonte: AACF)

E a rota principal representa por volta de trezentos quilômetros de desafio (um pouco mais ou um pouco menos, dependendo das variantes na Serra de Mantiqueira), atravessando uma região de belas paisagens.


(fonte de fotos: AACF)

As setas amarelas ou placas de quilometragem são posicionadas a cada 2 km, além dos trevos e cruzamentos duvidosos.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Arquipélago de Chiloé e Lagos Chilenos

Mochilada solo no Chile, em fevereiro de 2017 - 11 dias 

O motivo inspirador para esta viagem solitária foi o mais disperso dos monumentos da UNESCO no Chile - as igrejas de madeira nas ilhas Chiloé. A caminho para este arquipélago visitei a parte continental da “Região dos Lagos” e na volta não apenas ampliei a exploração do mesmo, mas também desbravei a “Região dos Rios” mais ao norte. Cada um dos quatro alvos que mirei: igrejas, ilhas, lagos, rios e cidades, merecia tal viagem, e seu efeito cumulativo foi simplesmente magnífico. E tudo isso em condições de tempo muito agradáveis: temperaturas amenas, sol brilhante (mas não abrasador!). O verão de 2017 no Trópico Sul foi monótono, e as frentes frias da Antártida não penetravam por meses, portanto este refresco nas férias foi providencial.

Roteiro:
Santiago - Puerto Montt - Puerto Varas - Petroue - Puerto Varas - Puerto Montt - Ancud - Castro - Achao - Quinchao - Castro - Dalcahue - Tenaún - Colo - Quemchi - Castro - Chonchi - Puqueldon - Castro - Osorno - Puerto Oktay - Osorno - Valdívia - Corral - Valdívia - Santiago

O mapa abaixo à esquerda apresenta a rota terrestre em toda a sua extensão, embora trechos de ônibus noturno no início (Santiago - Puerto Montt) e no final (Valdívia - Santiago) eram partes da logística global - poderia ir também de avião, ou pelo menos em um dos sentidos, mas em ambos os casos, os horários e as tarifas estavam a favor de ônibus.



A zona dos meus interesses nesta viagem  lá é delineada com moldura roxa, e a zona de atenção especial (no arquipélago de Chiloé - parte 2 do roteiro) com moldura vermelha dentro dela. E essa parte do mapa é representada no esquema central em uma escala mais adequada. A complementação  à direita apresenta a zona continental que explorei indo para ilhas (parte 1) e na volta de lá (parte 3)

Começarei o resumo visual não com o objetivo principal e não com as belas paisagens esperadas: como sempre, vamos procurar atrações, mas encontramos muito mais - também encontros com pessoas interessantes e com um novo ambiente social. As minhas lembranças deste gênero ficaram gravadas mais ou menos assim:



No tocante das 16 igrejas de madeira que compõem o objeto UNESCO No.971, nesta vez visitei 10 dessas, inclusive sete também por dentro e mais três só na parte externa :

quinta-feira, 18 de abril de 2019

São Luís - MA

Apelidos e títulos informais: "Jamaica Brasileira", "Ilha do Amor", "Atenas Brasileira", "Cidade dos Azulejos", "Capital Brasileira do Reggae", "Ilha Magnética", "Capital da França Equinocial", "Ilha Bela", “Ilha Rebelde".

Quase metade destas etiquetas começam com palavra "Ilha": e a capital do Maranhão realmente fica numa grande ilha conhecida como Upaon-Açu, embora no cotidiano isso é pouco perceptível. A impressão é de uma ampla península entre duas proeminentes baías do Oceano Atlântico: o canal transversal é estreito, e não faltam amplas pontes que conectam seus dois lados. Então, a maior ilha urbanizada do Nordeste está associada ao Amor, ao Magnetismo, à Beleza e à Rebeldia - uma combinação muito inspiradora para viajantes românticos.

A palavra "Capital" também foi reincidente: tanto do reggae (mas brasileiro), quanto da França (mas equatorial), e também por merecer. O primeiro destes dois títulos capitais combina muito bem com o apelido No.1 da lista toda, e a São Luís realmente esbanja um colorido pseudo-jamaicano. E o segundo evoca a especialíssima história de fundação desta cidade.

Antes de mergulhar nestes registros, cabe vistoriar os apelidos restantes. A analogia de Atenas parece pretensiosa demais, deixaremos do lado. Agora, os Azulejos é algo muito relevante: o Centro Histórico  (tombado pela UNESCO em 1997 sob No.821), é recheado com estes materiais de acabamento  desde a época colonial - na maior parte de origem portuguesa, mas não exclusivamente.



O forte Saint-Louis foi fundado no ano 1612 por uma expedição francesa sob comando do Daniel de La Touche, conhecido também como Senhor de La Ravardière, e o seu nome, que homenageia o famoso Louis IX (1214-1270), evocava também o então rei da França - Louis XIII.  

Os portugueses, que já tentaram se fixar neste pedaço uns cinquenta anos antes, partiram para contraofensiva, em em três anos expulsaram franceses da toda zona equatorial da América do Sul. Logo eles começaram expandir e intensificar o seu controle sore estes territórios, usando o forte de São Luís e a cidade formada em torno dele como sua base principal.  Mas em 1641-1644 houve outra invasão, nesta vez holandesa, cuja ocupação terminou em uma batalha destruidora. 

A cidade foi reerguida de novo, e por muito tempo se tornou capital da parte norte das colônias portuguesas na América (a parte sul estava sendo administrada via Salvador). Já nos tempos do império e da república a sua importância se tornou mais local, e o seu desenvolvimento andou em marcha lenta. Portanto acabou não atingindo tamanho de algumas outras capitais de Nordeste, e a sua componente histórica é relativamente mais pesada. Entretanto, a São Luís de hoje é uma grande cidade (1,1 milhão de habitantes), e em termos de qualidade de vida é considerada como terceira ou quarta em todo Nordeste do Brasil. A sua herança histórica está atraindo interesse cada vez maior, e as belezas da região maior ainda, portanto vale a pena visitá-la.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pampulha - Patrimônio de Humanidade UNESCO!

Pampulha, BELO HORIZONTE MG
Descrição no site UNESCO - Coordenadas - Portal turístico

O mais novo dos 20 objetos de Patrimônio Natural e Cultural de Humanidade foi incluído na lista da UNESCO na última seção, em julho de 2016 e recebeu o número 1493. A formulação é bastante clara: "projeto urbanístico visionário de cidade-jardim...  centro de carácter cultural e recreativo em torno de um lago artificial, compreendendo  um casino, a Casa do Baile, o Iate Clube e a igreja de São Francisco de Assis".

Este lago de Pampulha e os agradáveis e verdes bairros residenciais ao seu redor foram criados na periferia da metrópole mineira nos anos 1940.



O então prefeito da cidade Juscelino Kubitschek, jovem e cheio de novas ideias, solucionou pelo menos dois problemas por meio desse ambicioso projeto. O primeiro objetivo foi utilitário - criar um bom reservatório de água potável para suprimento da metrópole BH em pleno crescimento. O outro é estratégico – implementação na periferia da cidade de uma grande área de recreação, com opções de esportes aquáticos e outros e com e vadiados estabelecimentos culturais. Para atrair neste local os moradores da cidade acostumados com correria de dia-a-dia e com cantinhos verdes de importância local, na margem do lago artificial foram construídos vários prédios destaques - sedes de entidades de cultura.  O dos projetos foi já conhecido naquela época como eminente modernista arquiteto Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (1907-2012). ao redor dos edifícios foram criados simpáticos mini-parques, obra do famoso paisagista Roberto Burle Marx (1909 - 1994). Esta receita  dos anos 1942-44 deu tão certo, que alguns anos depois serviu como base conceitual do projeto de maior envergadura - da capital federal (BRASÍLIA DF). Desta forma, o Projeto Pampulha deu tríplice resultado.

Agora o outrora afastado bairro Pampulha já foi engolido pela expansão da metrópole ВН, está cercado por uma cadeia caótica de zonas industriais e de bairros mais simples. Na década de 1980 começou a poluição das águas do lago Pampulha, e até o fim do século XX o seu valor como zona de lazer ficou reduzido. Mas depois foram tomadas medidas eficientes para sua recuperação, resultando na melhoria da situação ecológica e na consolidação do bairro Pampulha como a mais atraente parte da cidade.



A melhor obra do Oscar Niemeyer nas margens do lago Pampulha, a igreja de São Francisco de Assis (1943) já se tornou uma das principais atrações de Belo Horizonte, objeto de peregrinação dos admiradores deste famoso arquiteto vindos do Mundo inteiro.

Este presente de um comunista-modernista não agradou às autoridades católicas que de cara declararam templo como impróprio para culto. Depois de 15 anos de serviço alternativo (principalmente como museu) e várias reformas, em 1958 este edifício se tornou uma igreja de verdade, mas opera sob tutela de poder público municipal já que representa um objeto do Patrimônio Cultural e Arquitetônico da cidade de Belo Horizonte.

domingo, 10 de janeiro de 2016

O mais valioso monumento de arquitetura no Mundo


O ponto alto do nosso passeio de um dia em Istambul graças à longa conexão entre voos da "Turkish Airlines" foi visita ao museu do templo Santa Sofia (ou Hagia Sophia):


O  nome Hagia Sophia (Άγια Σοφία) em grego significa "Sagrada Sabedoria", em turco  escreve-se como Ayasofya.

Atualmente (deste 1935, então nos últimos 80 anos) este edifício funciona como museu dele próprio, e se tornou um dos mais visitados museus desta histórica metrópole. A entrada custa 30 Liras (menos de 10 Euro), infinitamente pouco comparando com mistérios preservados nesta monstruosa construção. 

A exposição começa ainda na parte externa do templo, com planta baixa e detalhes de projeto. E também com vestígios dos templos mais antigos que ocupavam outrora este local.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O miolo da Bolívia: Samaipata, Potosí, Sucre e outras maravilhas

Mochilada solo pela Bolívia em setembro-outubro de 2013 - 11 dias



Coloquei no título apenas aqueles 3 monumentos de Patrimônio de Humanidade UNESCO que serviram como motivação maior para minha 3-a viagem à Bolívia. 

A 1-a (La Paz - Tiwanaku - Copacabana - Isla del Sol) ocorreu em 2004, viajamos com a minha esposa, e até agora estamos devendo este relato - Primeira aventura nas alturas (em construção)

A 2-a em abril do mesmo ano 2013, foi apresentada em Missões de Chiquitânia, com relatos e álbuns fotográficos em anexos.

Esclareço desde já, que Salar de Uyuni ficará para só 4-a, junto com Tarija, de novo em dois.

Nesta vez fui sozinho e visitei 10 outros locais interessantes, com pernoite em 8 desses. Cheguei a Santa Cruz de avião, fiz uma rota terrestre até Sucre e de lá retornei de avião via Santa Cruz. Evitei ônibus noturnos, fiz todos trechos de dia e tirei muitas fotos nestes quase 1300 km.

Roteiro:
Santa Cruz (A) - Samaipata (B) - Mairana (C) - Punata (D) - Cliza - Tarata - Cochabamba (E) - Oruro (F) - Potosí (G) - Sucre (H)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Missões de Chiquitânia

Mochilada solo pela Bolívia em abril de 2013 - 6 dias

Roteiro: Cuiabá MT - Cáceres MT - San Matias (BOL) - San Ignácio de Velasco - San Miguel de Velasco - San Rafael de Velasco - San José de Chiquitos - Roboré - Pto. Quijarro (BOL) - Corumbá MS - Campo Grande MS


Seis de uma dezena das fantásticas igrejas de madeira que sobreviveram na região de Chiquitânia desde os tempos da Companhia de Jesus atualmente compõem um dos monumentos de Patrimônio de humanidade UNESCO (Lista UNESCO: Missões jesuíticas de Chiquitos, Bolívia) - segundo dos sete monumentos bolivianos. E metade desta meia-dúzia eu consegui visitar nesta curta viagem cheia de improvisos. Praticamente sem informações prévias sobre transportes me aventurei nestas terras de população rarefeita, e isso foi muito bom para curtir intensamente os dias da escapada. Tinha compromissos firmes todo sábado de manhã naquele mês, mas consegui limpar uma semana de todas outras coisas de rotina, e ganhei 6,5 dias para este roteiro. A parte aérea coube toda no território do Brasil, e foi paga com "milhas" que juntei nas viagens anteriores.  De propósito atravessei a fronteira Brasil  - Bolívia na ida e na volta em pontos diferentes, e acumulei experiências importantes nesta modalidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Arequipa premium

Há muito mais Arequipa para quem gostou da sua praça principal e do famoso convento, e quer apreciar outras cantos do centro histórico. No mínimo, podemos conhecer alguns outros destaques da arquitetura religiosa.



Estes quarteirões são literalmente recheados de antigas igrejas, construídas de pedra vulcânica quase branca, ligeiramente rosada,  com impressionante acabamento externo. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Convento de Santa Catalina em Arequipa

Estes dois quarteirões de Arequipa - não apenas uma das suas principais atrações, também é uma "cidade dentro da cidade", o miolo do centro histórico da segunda metrópole do Peru. Na lista do Patrimônio de Humanidade da UNESCO ele entrou pela inicialmente com um objeto separada, e mais tarde, depois que outras joias antigas da Arequipa foi incluídas como mais um objeto, os dois foram reunidos sob o título "centro histórico de Arequipa." E conhecê-lo por completo significa entar também nesta cidadela.

O mosteiro (convento) foi fundado em 1579, o ano, mas das suas construções iniciais sobrou pouco, por causa  dos terremotos devastadores dos anos 1660 e 1687. A maior parto do que vemos lá hoje surgiu após estas catástrofes, entretanto o complexo como um todo combina os estilos de arquitetura dos séculos XV-XIX, muito naturalmente, já que se desenvolveu de forma contínua. O único campanário desta cidadela religiosa foi construído em 1748.



Ao lado do campanário fica aquele portão por onde deste 1970 pode entrar qualquer um - chegando no o horário de expediente do museu e pagando o ingresso. Mas nem todo convento se transformou em museu - no setor norte ainda há uma parte em atividade, bem escondida e com entrada da outra rua.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Bom dia, Arequipa!

Chegamos em Arequipa até o final do dia 28 de janeiro, sob a chuva fina, e não levamos a câmera para primeiras voltas pelo centro da cidade. Em compensação, resolvemos todos os problemas organizacionais: o câmbio de valor restante (no aeroporto de Lima trocamos só o mínimo necessário), compra de excursão de dois dias para o Vale e Cânion do Rio Colca, saída no dia 30 de manhã, algumas compras (suco, água, biscoitos, aparelho de barbear). Por causa da diferença de três horas de fuso-horário e da longa viagem que começou bem cedo, fomos dormir já entre 20 e 21 h no horário local...

E no dia 29 pouco depois do amanhecer já subimos no teto panorâmico do nosso modesto hotel. Manhã ensolarada nos deu uma boa vista para vulcões próximos à Arequipa, neste pedaço se destaca o pico de Chachani, com proeminência topográfica de quase dois quilômetros e altitude total de 6075 m.



Bem mais perto, na distância de apenas uma quadra daqui podemos ver uma das igrejas do complexo São Francisco

terça-feira, 7 de outubro de 2014

As mais bucólicas ruas de Potosí

Naqueles dois dias que andei pela cidade nem pensei sobre tal eleição: qualquer cantinho do seu centro histórico faz parte de um impressionante conjunto, para que inventar competições? Entretanto, isso existe, o quarteto oficial das mais bonitas ruas de Potosí. Descobri isso já depois da viagem, organizando troféus de mapas e folhetos. Enquanto andava em Potosí nem tinha um mapa descente - o ponto de informações turísticas na rodoviária estava fechado na hora da minha chegada, e depois só ganhei uma folhinha quebra-galho da agência que organizou visita a mina. E agora apareceu um bom mapa de Potosí ...no verso do mapa de Sucre, que recebi na chegada justo de Potosí, e usei bastante, portanto o mapa sempre ficou dobrado de jeito mais próprio. Já em Potosí, de fato, nem precisava de mapa: a malha de ruas é bem clara, o Cerro Rico sempre mostra a direção certa. Mais um pouco de intuição e outras fonte de consulta podem ser dispensados. Mas agora tenho isso aqui:




A legenda apresenta longas listas: igrejas, museus, pontos panorâmicos, casario colonial... E sinto de novo que vi muitas coisas interessantes, mas faltou também um tanto, então há ainda reservas para aproveitar outra visita a Potosí, caso aconteça. Reparei que o mapa é virado em 90 graus, em cima ficou lado leste e não norte. E mais essa lista curtinha, e diferente de todas outras já que não se refere aos marcos numerados no próprio mapa. Chama-se PICTURESQUE STREETS e inclui quatro posições: "Calle Quijarro", "Calle Ayacucho", "Calle Chuquisaca", "Calle Tarija". Lembrei na hora que três destes nomes, com exceção do primeiro, vi muitas vezes, o terceiro até serviu como meu endereço na cidade. Portanto comecei as buscas fotográficas justo das imagens da rua Chuquisaca, como na minha galeria Picasa as fotos já foram fincadas aos locais exatos, dá para perceber a vizinhança do hotel foi memorável.


Apresentando a Calle Chuquisaca:


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sucre, BOLÍVIA


A сidade - símbolo da Bolívia, capital constitucional, "cidade de quatro nomes". Esta região indígena era conhecida como "Charcas", a assim os espanhóis identificaram a sua estrutura administrativa nesta parte nas colônias: "Audiência de Charcas". A e própria cidade colonial fundada em 1538 foi chamada "La Plata" (nome completo "Ciudad de la Plata de la Nueva Toledo"), deixando claro qual foi o principal objetivo da invasão. O nome "Chuquisaca", que surgiu nos tempos da guerra pela independência, agora ficou com unidade federal boliviana. E a sua capital, bem como sede da Corte Suprema da Bolívia, desde 1839 chama-se "Sucre", em homenagem do marechal da Grande Batalha de Ayacucho (1824), venezuelano Don Antonio Jose de Sucre. Sucre fica nas altitudes por volta de 2800 m e possui um clima muito agradável. A atual população é ca. 300 mil habitantes, 4-a maior área metropolitana da Bolívia. O seu esplendor colonial, baseado em exploração de minas de prata em Potosí (a apenas 150 km), pode ser sentido até hoje, e junto com monumentos da época de independência assegura lugar na almejada lista de Patrimônio de Humanidade UNESCO (reg. No. 566). E de fato, com seu estilo de arquitetura próprio, resultante de mistura das tradições indígenas e espanhóis, esta cidade de igrejas brancas, considerada a mais gentil e orgulhosa da Bolívia, merece uma visita. Não há como conhecer bem a Bolívia sem sentir profundamente os ares de Sucre.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Potosí, BOLÍVIA


A Villa Imperial de Potosí foi fundada em 1545 nas altitudes por volta de 4000 m, em função dos abundantes minérios de prata e de outros metais. Já no século XVI se tornou o maior complexo industrial do mundo, que funcionava com amplo emprego de energia hidrostática, fornecida pelo único sistema de aquedutos e lagos artificiais. Nesta época foi considerada como cidade mais rica do planeta, e a sua população atingia 160 mil habitantes já em 1625 (hoje em dia está nesta faixa também - 170 mil), e no final do mesmo século foi a segunda maior do mundo depois de Paris. A herança daqueles tempos ficou bastante preservada, e desde 1987 faz parte de Patrimônio de Humanidade (cadastro UNESCO No.420, primeiro dos 6 monumentos da Bolívia).

A zona de preservação inclui o centro histórico, o conjunto de mineração de Cero Rico e os antigos bairros dos mineiros, com inúmeras igrejas coloniais. O principal museu da área central, Casa de la Moneda, toma várias horas de visita, e há também tantos outros, inclusive museus-igrejas com mirantes panorâmicos. Somando grande acervo de casario colonial e toda a charme das ruas antigas, só o centro histórico justifica no mínimo 2 dias de permanência. E há ainda excursões às minas de prata - de dia inteiro ou tomando toda parde de manhã, bem como excursões mais distantes de dia inteiro, portanto reserve bastante tempo ao planejar uma parada em Potosí.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Oruro, BOLÍVIA

Cidade fundada em 1606, altitude 3735 m, população 265 mil habitantes - 4-a maior cidade da Bolívia e segundo mais importante polo urbano de Altiplano (considerando La Paz - El Alto como uma só área metropolitana). É o principal centro de mineração na Bolívia, grande centro de logística, cultura e educação. Oruro encontra-se praticamente no foco da malha viária da Bolívia e possui boas conexões com principais cidades e regiões do país. Fica próximo ao trevo das duas mais importantes rodovias: Ruta 1, La Paz - Oruro - Potosí - Tarija - Bermejo (fronteira com Argentina), passa pelo contorno da cidade; Ruta 4, deriva da Ruta 1 só 40 km ao norte de Oruro e segue para Cochabamba - Santa Cruz - Puerto Quijarro (fronteira com Brasil); Ruta 12 faz ligação direta de Oruro com Ruta 4 no sentido de Cochabamba; Ruta 6 para Sucre, deriva da Ruta 1 a 20 km de Oruro (ao sul); Ruta 30 para Uyuni, deriva da Ruta 1 mais ao sul de Oruro, em Challapata (120 km). Assim, o "Terminal de buses de Oruro" oferece linhas diretas pelo teritório nacional quase todo e atende não só moradores e visitantes de Oruro mas também passageiros em tránsito que aproveitam conexões. Por sinal, é muito bem localizado, entre o centro da cidade e a sua periferia norte, e cercado de muitos hoteis de várias categorias.



Embora a cidade de Oruro não é considerada como um destino turístico, possui atrações próprias de grande importância. A mais tradicional é o local onde nasceu a atual bandeira da Bolívia (em 1851) - El Faro de Conchupata. Dos velhos tempos chegou também a Festa de Virgem de Socavón, mas esta se tornou mundialmente conhecida como "Carnaval de Oruro" só nas últimas décadas, quando tomou formas de festival de danças folclóricas. Já no início de 2013 foi inaugurada a estátua da Virgem Maria, localizada na colina quase 100 m acima da cidade, de valor artístico indiscutível e de tamanho muito expressivo. Com seus com 45 m de altura supera tanto as do Cristo de Corcovado, Rio de Janeiro (38 m) e da Concôrdia, Cochabamba (40 m), e até chegou a ser declarada como a maior estátua da Virgem Maria no mundo e o maior monumento religioso da América do Sul, embora estes dois títulos são bastante discutíveis.