terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Repensando o "carro elétrico": motivação

Caros(as) amigos e amigas! É claro que inimigos nem devem prestar atenção no nosso blog: embora de fato não temos inimigos, isso não é necessariamente recíproco.

Nesta postagem estou compartilhando com Vocês alguns pensamentos que até podem ser conectados aos aspectos logísticos das viagens, mas transcendem o escopo das nossas páginas "exotéricas". Seja a primeira do outro gênero: não tão filosófica como o manifesto inaugural da página "Pensando", mas seguindo a mesma linha do jeito mais objetivo e tecnológico. E em breve teremos uma página especial para este ramo mais esotérico cuja existência não afetará a estrutura do menu principal.

O que está em questão é a propulsão elétrica em veículos particulares, e a parte experimental deste estudo comecei ainda em agosto de 2022 ao adquirir este exemplar da categoria ultraleve de duas rodas: 

É uma boa bicicleta urbana/estradeira (rodas de 27,5 pol.): sem amortecedores, mas com 7 marchas de pedal, paralamas, protetor de corrente e bagageiro. Além disso, tem um motor elétrico de 250 W no eixo traseiro e bateria de íons de lítio embutida no quadro. É um veículo híbrido, bem que livre do vicioso ciclo Otto: a assistência elétrica só pode ser acionada (ou não) ao pedalar, e nunca de forma passiva. Mas, quando precisar, pode contar com 9 níveis diferentes da sua potência - de acordo com adversidades enfrentadas. Massa própria 19-20 kg; capacidade de carga 130 kg: a minha massa corporal é metade disso, portanto ainda posso levar boa bagagem. Alcance nominal 50 km (30 mi) - em terrenos relativamente planos e usando a assistência elétrica de forma contínua. Os meus testes mostraram que tal forma contínua não faz sentido, e gastando a bateria apenas em subidas consideráveis e/ou contra vento forte pode ir bem mais longe, assim a autonomia prática supera 100 km.

Confesso que o investimento de 6 mil reais não foi exatamente para fins de pesquisa e até meio casual: em maio passei por dupla cirurgia abdominal e, apesar da boa recuperação, a minha volta para passeios ciclísticos poderia demorar muito mais sem ajuda deste cortador dos picos de esforço. Embora na atual fase da nossa vida profissional nenhuma bicicleta teria utilidade como transporte diário, a experiência operacional nesta modalidade foi simplesmente empolgante em vários sentidos: dos planos de longas viagens sobre duas rodas até intenções de eletrificar a pequena frota de quatro rodas também. Mas a análise da situação atual nesta categoria demonstrou que o último ainda seria muito precipitado.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Paranapiacaba - SP

Esta incrível cidadezinha está meio escondida no anel verde da gigantesca metrópole São Paulo - SP apenas a cinco dezenas de quilômetros do seu centro. Foi fundada em 1860 durante a construção da ferrovia São Paulo - Santos, e desde então permanece a serviço desse modal, mantendo não apenas seu projeto urbanístico e quase todas as construções originais, mas em alguns aspectos até o modo de vida da segunda metade do século XIX. A vila ferroviária de Paranapiacaba está localizada nas montanhas enevoadas entre o planalto da capital paulista e o Litoral, a uma altitude de 800 a 840 m acima do nível do mar, e atualmente tem cerca de 3 mil habitantes. Isso não é suficiente para emancipação, portanto continua sendo um "distrito remoto" do município de Santo André, um dos mais prósperos na Grande São Paulo. A distância do centro é quase 30 km que podem ser vencidos com auxílio de transporte público sem dificuldades.

A operação de transporte regular de passageiros nesta estação ferroviária foi desativada em 1977, e o antigo relógio que funciona desde 1901 logo foi reposicionado do alto do velho terminal de madeira para nova torre de alvenaria construída para esse fim. No lugar da antiga construção de grandes proporções apareceu esta típica estação para trens suburbanos.


Uma linha de CPTM foi esticada até aqui, mas não por muito tempo. Mas os trens de carga circulam cada vez mais, e por motivos de segurança em Paranapiacaba não é possível atravessar os trilhos em nível. Há apenas tanto uma via pedestre - pela passarela construída ainda em 1899.

domingo, 9 de janeiro de 2022

Palmas - TO

O estado Tocantins foi criado pela Constituição de 1988, e logo em 1989 e foi fundada a sua capital, cujo projeto arquitetônico e urbanístico foi inspirado pelo sucesso de Brasília - DF. Mas, obviamente, já foi desenvolvido com devidas adaptações geográficas e temporais, e na sua implementação foi possível manter um ritmo de crescimento sustentável. Hoje em dia, a mais nova e a menor das capitais brasileiras ainda tem um pouco mais de 300 mil habitantes e continua na liderança no quesito de taxa de crescimento. Mas o seu Plano Diretor é compatível com projeções muito maiores, portanto entre apelidos oficiais da cidade - "Terra das Oportunidades", "A mais Brasileira das Capitais""A Caçula das Capitais" - o primeiro é nada menos verdadeiro do que dois outros.

O lugar para construção deste novo centro urbano foi muito bem escolhido: aproximadamente no centro geodésico do território brasileiro todo, 800 km ao norte de Brasília e Goiânia e próximo à margem direita do grande Rio Tocantins. Seu terreno é praticamente plano, com altitude média de 280 m. Nos anos 1998-2002 aproximadamente 50 km ao norte foi construída a barragem da UHE de Lajeado, com 74 m de altura. Em consequência o rio alargou várias vezes e na periferia oeste da Palmas surgiram várias praias fluviais, inclusive ilhadas. A conexão da Palmas om margem esquerda do Rio Tocantins pela rodovia TO-080 foi viabilizada pela "Ponte da Amizade e da Integração" implementada na altura do centro da cidade em 2002. Esta obra com extensão de 8 km inclui 4 aterros e 3 pontes propriamente ditas: de 1 km próximo à margem direita, de 0,1 km na parte central e de 0,1 km próximo à cidade.

Para quem chega de avião e conta com sorte (aproximação do lado oeste e janela pelo bordo esquerdo) a cidade se apresenta desta forma:   

É isso mesmo: parece um grande parque beira-rio, com alguns prédios altos no meio de muito verde. A largura da faixa urbanizada não supera dimensões da represa, e nos seus fundos aparecem elevações cobertas de densa floresta. No mapa essas proporções são ainda mais aparentes: 


Os símbolos vermelhos que representam atrações estão concentrados na intersecção dos principais eixos viários Norte-Sul e Leste-Oeste, onde se encontra a Praça dos Girassóis, uma das maiores praças urbanas do mundo e a maior nas duas Américas. No centro deste retângulo com dimensões de aproximadamente 800 por 700 metros está o Palácio Araguaia, sede do governo estadual. Nos cantos nordeste e noroeste há prédios dos poderes Legislativo e Judiciário, também bonitos, mas de altura ainda menor e meio escondidos entre grandes árvores. Estas construções junto com alguns prédios administrativos construídos no lado sudoeste da praça ocupam relativamente pequena parte dos 570 mil metros quadrados da sua área total, bem arborizada e com amplos espaços para passeios e eventos. Vale a pena dar uma volta por lá e apreciar diversos monumentos espalhados ao redor, inclusive o próprio Centro Geodésico do Brasil: 

domingo, 2 de janeiro de 2022

Descobrindo o Tocantins: Jalapão e Palmas

Viagem em novembro de 2021: mais de 900 km no grupo de 11 turistas com 2 guias e 2 veículos 4x4  

A nossa turma de 4 amigos (2 casais) serviu como núcleo deste grupo e garantiu a saída no dia sugerido pela operadora "Cerrado Rupestre". Com mais 7 interessados e 2 guias formamos equipagens de dois carros Toyota SW4 TD3.0 que cabem até 7 pessoas cada (em 3 fileiras de bancos). Apenas um assento ficou vago e foi utilizado como primeira extensão de porta-malas, mas ainda precisamos da segunda - sobre teto. Não foi por nossa culpa - levamos apenas aquela bagagem de mão com limite de 10 kg por passageiro que foi permitida em nossas passagens aéreas e combinada com a agência. Foi nossa primeira experiência nesta modalidade de viagem e curtimos isso do início até o fim. 


O roteiro de 5 dias foi ótimo, com várias atrações de diversos gêneros e com 4 pernoites em locais diferentes. Além disso, para evitar os incômodos de voos noturnos dormimos 2 noites em Palmas: antes do início da "expedição" e depois do retorno. Os voos de ida e de volta foram na parte da manhã, e assim tivemos uma tarde e duas noites para conhecer as principais atrações da surpreendente capital tocantinense. 

Mas as impressões mais marcantes desta semana foram das belezas naturais que conhecemos, e a grande novidade foi esta:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Expedição "Vivências Jalapão 2021-5d", dia 5

O último dia do nosso roteiro passamos já fora da região Jalapão propriamente dita - nas proximidades da capital estadual. De fato, o distrito Taquaruçu faz parte do município de Palmas TO, e distância rodoviária entre a sua cede (com nome completo Taquaruçu do Porto) e o aeroporto PMW é apenas 26 km. Até o centro da Palmas, onde ficaremos mais uma noite até o nosso voo matutino de amanhã, é 1,5 vezes mais longe - uns 40 km de estradas asfaltadas que podemos percorrer em 40-45 minutos. Mas não temos pressa de seguir até lá diretamente e aproveitaremos este dia para conhecer mais algumas maravilhas naturais espalhadas por aqui. 

De manhã seguimos o nosso hábito de acordar cedo, logo tomar café da manhã e fazer check-out.


Esta pousada Bistrô e Pousada Casa das Flores é muito aconchegante, mas já estamos a procura de novas emoções. E primeira parada de hoje será bem perto: ainda ontem,  antes de chegar a esta cidadezinha, na descida da serra avistamos uma placa que identifica acesso a duas cachoeiras. Portanto, em vez de virar para oeste onde fica a Palmas, voltaremos 3 km para leste só para conhecer esta dupla:  


Cachoeira Escorrega Macaco (esq.)  e Cachoeira da Roncadeira (dir.). Com altura de queda da água na faixa dos 50 e 70 m respectivamente, neste quesito elas foram destaques do nosso roteiro todo. 

sábado, 27 de novembro de 2021

Expedição "Vivências Jalapão 2021-5d", dia 4

Nesta vez não colocarei no início da reportagem nenhuma colagem com pretensões de apresentar mais importantes descobertas do dia e começarei simplesmente na ordem cronológica. De manhã cedo acordamos com vozes de araras que sobrevoaram a nossa pousada e nem precisamos de despertador. O tempo estava bom e comecei fazer alongamentos na área externa do nosso apartamento na Pousada São Félix do Jalapão, com câmara fotográfica colocada ao lado. Em menos de 3 minutos primeiro sucesso: 

Um trio de araras-canindé passando bem perto. Continuarei este plantão focando nas paisagens ao redor.


Aquela Serra do Espírito Santo, de novo, mas agora com iluminação bem melhor do que ontem no fim de tarde e com névoas subindo pelos lados. Foi muito bonito mesmo, não existem fotos que possam transmitir isso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Expedição "Vivências Jalapão 2021-5d", dia 3

Este dia literalmente foi o miolo da nossa viagem: estávamos no afastamento máximo de Palmas e avançamos relativamente pouco, nesta vez no sentido circunferencial. Em compensação tivemos quatro paradas muitíssimo relaxantes: três para flutuar em incríveis piscinas naturais com olhos-d´água típicos de Jalapão, chamados "fervedouro", e outra para curtir uma das mais belas quedas de água - a Cachoeira da Formiga. Portanto boa parte do dia ficamos de molho, nadamos, mergulhamos ou simplesmente admiramos estas quatro joias da natureza: 

E as chuvas? Sim, caíram de novo, mas tomando cuidado de não atrapalhar a nossa programação: bem distribuídas e somente nas horas de estrada. Assim, neste quesito também foi um dia excepcional. 

Partimos da pousada antes das 7 h para logo parar no mesmo restaurante onde jantamos ontem, o café da manhã também foi servido lá:   

domingo, 14 de novembro de 2021

Expedição "Vivências Jalapão 2021-5d", dia 2

A programação do segundo dia foi bem objetiva: seguimos de Ponte Alta do Tocantins para Mateiros TO pelo caminho mais curto (162 km), mas com longas paradas para visitação das três atrações principais: cânion, rio e dunas (agregando mais uma dúzia de km em dois pequenos desvios e mais alguns quilômetros de caminhadas). Assim, este percurso pela estrada de terra com código TO-255 levou o dia inteiro: partimos às 7:30 e chagamos depois das 18 h. Aproximadamente metade dessas 10,5 horas passamos em trânsito, curtindo belas paisagens pela janela do carro: e outra metade do tempo foi bem distribuída entre referidas atrações, almoço que precedeu a segunda e mais duas paradinhas na estrada mesmo - para tirar fotos das montanhas que cercaram a estrada no trecho antes das dunas, já dentro do Parque Estadual do Jalapão.


Nesta vez a chuva começou bem mais tarde, quase às 5 horas de tarde, e não impediu nenhum passeio ao ar livre, mas ela de novo roubou a cerejinha do nosso bolo: não foi possível contemplar mais um pôr-do-sol muito esperado - agora do alto das dunas de onde nós retiramos correndo.  

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Expedição "Vivências Jalapão 2021-5d", dia 1

Primeiro dos cinco dias desta intensa viagem foi um verdadeiro batismo pelas estradas tocantinenses: quase 370 km, e este recorde de rodagem jamais foi superado na continuidade do roteiro. De fato, foram uns 40% de todo percurso, embora só neste dia a maior parte foi pelo asfalto - que depois disso abandonamos de vez e reencontramos só nos trechos finais dos dois últimos dias. Portanto a participação deste dia em álbuns de fotos é bem modesta, mas isso não significa que passamos o tempo todo na estrada. O trecho inicial sim, foi um simples reposicionamento do nosso hotel em Palmas TO, que deixamos antes das 8 h de manhã, até a pousada na periferia de Ponte Alta de Tocantins TO: 160 km em 2h20m. Mas, em vez de descarregar as bagagens e fazer check-in, paramos lá só para um curto descanso e logo começamos uma longa investida na direção sul, onde foram prometidas duas grandes atrações do dia:  Lagoa do Japonês e Pedra Furada.

(imagens de Google Fotos)

E realmente conhecemos estes dois fenômenos de perto, o primeiro deles até muito bem, e ele valeu mesmo a jornada do dia. Mas nesta ilustração só usei fotos de domínio público disponibilizadas pelo serviço da "Google" - por não ter acesso com minha câmara a esses ângulos de visão nos cantos da lagoa e por um motivo de força maior no caso do morro vazado. Contarei isso na sequência do relato, de acordo com a cronologia.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Pomerode - SC

Esta cidade catarinense foi fundada em 1863 pelos imigrantes pomeranos, inicialmente como uma pequena colônia, e hoje em dia adota apelido "Unser Kleines Deutschland" ("Nossa Pequena Alemanha"). Localizada no Vale do Itajaí, a apenas 35 km ao norte de Blumenau e também 35 km ao sul de Jaraguá do Sul. Distância de Joinville 80 km, do aeroporto Navegantes NVT 75 km, da  capital catarinense Florianópolis - SC 170 km e da metrópole Curitiba  - PR menos de 200 km, e  esta posição estratégica quase sempre garante um bom fluxo de visitantes atraídos pelo apelo da "cidade mais alemã do Brasil" .  

Um das sua maiores virtudes é forte presença da arquitetura Fachwerk (enxaimel), especificamente na versão pomerana:

Ocorre que devido à humidade marítima, próximo à Costa Báltica predomina tradição de vedação com alvenaria à vista e não com reboco e pintura branca como na partes central da Alemanha. Porém, a Pomerode demonstra também outros estilos de construções vindos daquele país:

Tudo isso é espalhado por uma área apreciável, já que esta cidade de 34 mil habitantes hoje em dia é muito esparsa, como pode ser visto no seu mapa turístico exposto junto ao portal: